Profissão: Dona de Casa

Olá queridos e queridas!

Hoje vim contar um pouco da minha experiência, como está sendo ser “dona de casa”.

Sei que hoje em dia essa “profissão” já nem existe mais ou estou enganada?

Antigamente o que era regra, virou exceção.

A mulher ganhou seu espaço no mercado de trabalho e com isso se afastou um pouco das tarefas domésticas, porém, ao meu ver houve um ledo engano, pois sabemos que mesmo a mulher que trabalha fora, ainda assim, tem a necessidade de cuidar da casa, salvo raras exceções onde a pessoa vive muito bem financeiramente para contratar uma secretária do lar, caso contrário, além de trabalhar fora, a mulher sim, precisa realizar tarefas domésticas, que não são fáceis.

A minha experiência se deu, quando após alguns acontecimentos inesperados que tiraram meu chão, precisei me recolher e descansar a mente e o corpo, então, após algumas conversas com meu marido, que sempre me apoiou, decidimos então, que eu ficaria em casa por algum tempo, um tempo necessário para minha recuperação.

Não foi fácil de início, confesso, pois trabalho desde meus 16 anos de idade, o que sempre me proporcionou a liberdade financeira, porém, eu realmente me via precisando de um tempo para assimilar os acontecimentos e tomar um novo rumo.

A minha primeira dificuldade não foi em executar as tarefas domésticas, exceto cozinhar, pois nunca fui muito boa, mas do resto sempre tirei de letra, pois sempre fiz, adoro organizar coisas. A parte da limpeza é mais chatinha mesmo, mas do resto, tranquilo.

A minha maior dificuldade foi em realmente aceitar que hoje eu sou uma “dona de casa” e como é ruim não ter dinheiro para comprar algo que nos agrada ou algo que simplesmente desejamos, porque, felizmente nunca nos faltou nada nesse tempo, mas os gastos tiveram que ser reduzidos, afinal, menos dinheiro entrava.

É interessante como nos moldamos ao mundo atual, cheio de compromissos, em que a mulher tem que trabalhar fora, e que cuidar da casa é uma função desmerecida e realmente foi isso tudo que senti no começo e eu queria muito desconstruir isso.

Eu sempre dizia que nunca seria dona de casa, mas qual o problema nisso?

Enfim, o que já estava sendo difícil, piorou um pouco mais quando descobri que estava grávida, pois eu sabia que teria que ser menos ativa, me cuidar mais e que agora, nem que eu quisesse, poderia voltar a trabalhar fora, porque infelizmente o mundo corporativo dificilmente contrata gestantes.

Bom, agora mais ainda temos que desconstruir isso.

Para isso, muitas e muitas conversas com o marido, com a psicóloga e muita auto reflexão, pois apesar de parecer algo tão bobo, a cobrança da sociedade é enorme. Sinto na pele, quando digo que não trabalho fora.

A cobrança as vezes vem de nós mesmos, eu sentia que não era suficiente tudo que estava fazendo, quando as finanças apertavam, era pior ainda, quando via meu marido chegar cansado em casa e ainda ter que trabalhar mais, eu pirava, mas graças a Deus, tenho um marido super consciente e que me ajudou a entender essa situação.

Ele me fez enxergar que também trabalho duro aqui em casa, pois quando decidimos tomar essa decisão juntos, eu realmente fiquei com todo trabalho da casa, limpeza, organização, cuidado com os bichos, compras, cuidar das roupas,tudo, tudo da casa sou eu que resolvo e ele me ajudou a entender que é um grande trabalho, principalmente agora com a gravidez,que com certeza dificulta algumas tarefas.

Nós entendemos que somos uma equipe e que por mais que eu não esteja ajudando financeiramente, estou ajudando com todo o resto.

Mas a vida de dona de casa não tem só pontos negativos, apesar de a gente trabalhar dia e noite, temos nosso momento de descanso, fazemos nosso próprio horário, podemos acordar mais tarde quando queremos, enfim, trabalhamos por conta.

E aí alguns vão perguntar: ah! mais e o salário?

Como eu disse, aqui em casa nos consideramos uma equipe, não há machismo, nem feminismo, há companheirismo e dividimos tudo. Temos uma conta conjunta e administramos juntos as contas e eu possuo meu cartão de crédito próprio, portanto, me sinto livre para usar o dinheiro, porém, com um pouco mais de responsabilidade.

E sabe que isso foi muito bom, pois me fez não gastar mais com coisas desnecessárias e que as vezes comprava só por prazer. Entrou aí o consumo consciente, que cada vez mais me adapto a ele, tanto nas compras, quanto nas coisas mesmo, me desapegando de roupas, sapatos, enfim, aderindo o menos é mais.

É claro, que como sempre fui uma pessoa muito ativa, pretendo sim um dia voltar a trabalhar fora, ou talvez em casa mesmo, pois esse é meu maior sonho hoje, poder trabalhar em casa e estar presente na vida do meu filho, quando ele chegar.

Um assunto que pode render outro texto, já que também é motivo de conversas e reflexões aqui em casa.

Espero que tenham gostado e caso se identifiquem, deixe seu comentário, que adorarei interagir com vocês.

Um super beijo e até o próximo post!

 

 

SUICÍDIO – PRECISAMOS QUEBRAR ESSE TABU!

Olá pessoal, tudo bem?

Espero muito que sim!

Hoje estou aqui para deixar um alerta e de certo modo um desabafo também.

Vamos tratar hoje de um assunto bem pesado, conforme vocês puderam notar pelo título, porém, um assunto de extrema importância a ser abordado nos dias atuais, com tanta gente em depressão, ou até mesmo infelizes por não conquistar uma “vida de sonhos”, conforme nos mostram as redes sociais, apesar de sabermos que nada disso é tão real.

Quero deixar bem esclarecido que este é um relato pessoal, que ocorreu comigo e com minha família e que tem por objetivo alertar o leitor sobre esse assunto que é tão tabu, porém, está presente em nossas vidas e em nosso dia a dia, podendo vir a acontecer com qualquer um de nós ou alguém próximo a nós.

Era dia 07 de fevereiro de 2018, há exatamente um ano atrás, quando acordei, fiz meus afazeres matinais e estava me trocando para ir a academia, até que recebi a pior ligação da minha vida, era minha madrasta gritando que meu irmão havia se enforcado.

Lembrem-se a maneira como se recebe uma notícia dessa, que já é trágica por si só, pode traumatizar ainda mais, pois até hoje escuto a voz dela dizendo aquelas palavras horríveis em minha mente, o que me causa muita dor.

Minha primeira reação foi paralisar, não estava conseguindo assimilar e acreditar naquela terrível notícia. Depois a primeira coisa que veio em minha cabeça foi meu pai.

Terminei de me trocar, peguei minha moto e voei até sua casa, onde o encontrei aos prantos, também sem acreditar que realmente havia acontecido, ou seja, sem chão!

Meu maior medo era que meu pai também tentasse alguma besteira, nesse momento e só queria estar ao lado dele.

Infelizmente minha mãe se foi há dois anos atrás, por uma doença terrível chamada cirrose, na qual ainda vou partilhar dessa experiência com vocês também.

Duas perdas em tão pouco tempo. Eu me sentia exausta emocionalmente, até porque também estava me recuperando de uma depressão.

A primeira pergunta que nos vem a mente é POR QUE?

E isso eu sei que é algo que jamais conseguiremos desvendar, jamais teremos a certeza do que se passava em sua cabeça e em seu coração naquele momento, além, da dor, da solidão e da angústia.

A sensação que tive foi de que meu peito estava comprimido, doida tanto que não havia lágrimas suficiente para aliviar. Sensação de impotência, de fracasso e muita angústia também, pois nesse momento só nos lamentamos pelo que poderíamos ter feito e não fizemos.

QUEM ELE ERA?

É nesse momento que o peito aperta novamente e as lágrimas escorrem, pois quem o conhecia sabe que meu irmão era uma pessoa extremamente amável, generoso e de um coração enorme, que se fosse preciso doava a própria roupa do corpo para alguém necessitado, porém seu maior defeito era não cuidar de si mesmo.

Era um filho e um irmão muito carinhoso, estava sempre me abraçando e dizendo o quanto me amava. Muito sensível e chorão também.

Fomos criados juntos, éramos muito apegados.

Eu e ele
Minha mãe, eu e ele

Deixou seu maior sonho, seu filho de 4 anos, que quando pra essa criança, aí mais bem que não entendo. Seu filho ainda o chama, se lembra vivamente do pai, que era super carinhoso e amoroso com ele, sempre estando presente e fazendo suas vontades.

NÃO HÁ REGRAS!

Esse negócio de quem avisa, não faz, não existe! Ou de quem quer, faz. Nada disso deve ser parâmetro. O único parâmetro que temos é como a pessoa está reagindo aos dissabores da vida.

Ele vinha se sentindo cansado de lutar e não conseguir nada, apesar de ter tudo. Por isso eu digo, por menos que você tenha seja grato, pratique a gratidão, pois nessas horas você consegue enxergar que nada é mais valioso do que nossa vida, nossa saúde.

A depressão é coisa muito séria, mas não vou me estender neste post para não ficar mto longo. Prometo que trarei minha experiência com isso em outro post também. Sei que esse foi sim, um dos motivos. Ele estava depressivo e não conseguia enxergar nenhuma saída para os seus problemas.

Minha história com o suicídio

Eu também por várias vezes pensei e já até tentei me suicidar, porém, sempre pensei em meu pai e na minha família, eles talvez não me perdoariam por  isso.

Me sentia egoísta, porém angustiada por tantas decepções que a vida me dava, mas nunca tive coragem de ir até o fim.

O sentimento que eu tinha quando vinham esses pensamentos era de abandono, de cansaço físico e mental, de falta de cuidados mesmo. A gente se sente vítima, se sente fraco e ao mesmo tempo que queremos gritar por socorro, não queremos incomodar ninguém, pois é nesse momento que eu volto a dizer, temos que acabar com esse tabu, pois é mais comum do que imaginamos.

Alguns rotulam, dizem que é falta de Deus e eu posso afirmar que não é, pois eu cresci em igreja evangélica, participei de louvores, fazia trabalhos na igreja, sempre fui temente a Deus, sempre tive fé e fiz preces, porém, nada disso me impediu de pensar em suicídio.

COMO FICA  A FAMÍLIA?

Sem chão! A família nesse momento se sente a maior culpada, por mais que saibamos que jamais podemos nos culpar por atitudes de outras pessoas. Esse é o primeiro sentimento que vem no coração.

Ficamos tentando encontrar nossos erros. Meu pai até hoje se culpa e procura por seus erros na atitude do meu irmão. Sofre calado e sempre visita o túmulo do seu amado filho.

Nos questionamos a todo momento: Por que não vimos? Por que não ajudamos mais? Muitos por quê e nenhuma resposta.

Parece que nada mais faz sentido, nada mais tem graça.

Os natais não são mais os mesmos, ano novo é só mais um ano sem ele e seu aniversário já não se comemora mais.

Minhas dicas para esse momento tão delicado:

Em primeiro lugar ter fé, mesmo diante de uma tragédia dessas, jamais devemos blasfemar contra Deus, ele sabe o que faz!

Num primeiro momento a gente não aceita mesmo, fica com raiva da vida, com raiva de nós mesmos, mas esses sentimentos só nos fazem sucumbir ainda mais e impedem a evolução espiritual do ente querido.

Temos que levar lições de tudo o que passamos nesta Terra. Acredito eu, que esse é o nosso principal objetivo aqui.

Nesse momento buscar a Deus ou se apegar a alguma filosofia de vida ou até mesmo religião, desde que não seja de maneira fanática é válido, pois senão, não aguentamos viver com tamanha tristeza.

Aos poucos a vida vai passando, as coisas vão se ajeitando.

A família estar unida nesse momento é essencial para cada um, é o alicerce para suportar a dor.

A saudade jamais vai passar, sinto em dizer, só tende a aumentar, mas entendo que quanto mais chorarmos ou imaginarmos o sofrimento da pessoa, mais ela irá sofrer e demorar para desapegar da vida terrena.

A oração, a prece, a reza, como você preferir, é o melhor remédio para acalmar a dor e ajudar aquele que se foi. O ideal é lembrar sempre da pessoa feliz, transmitir sentimento de paz, felicidade e gratidão por ela ter sido membro de sua família.

Chorar faz parte, mas lembre se de não pensar coisas negativas!

Mensagem final:

Então se você já pensou ou pensa em cometer suicídio, peço que procure ajuda!

Saiba que é possível resolver as coisas por aqui, por mais que elas pareçam sem solução.

Quando a pessoa que amamos se vai dessa maneira, percebemos que algumas coisas a que damos valor hoje, não tem sentido algum.

Temos a certeza que tudo pode ser resolvido sem que seja necessário uma atitude radical como essa.

Vamos acabar com o TABU

Temos o recente caso da Marina Bittercourt, que se suicidou essa semana, portanto, mais uma vez volto a dizer, TEMOS QUE QUEBRAR ESSE TABU, não é e não deve ser tratado como algo demoníaco.

Não dê ouvidos a pessoas que dizem ser o maior pecado, que a pessoa vai direto pro inferno, nada disso! Ninguém nesse mundo sabe o que se passa após a morte com certeza, não fique preso a isso, somente envie boas vibrações a pessoa, tenha pensamentos de amor e gratidão para com ela e peça para que ela encontre a luz e evolua!

Infelizmente alguns dias atrás, acabei me calando sem querer e me senti muito mal por isso e pude enxergar o quanto as pessoas se envergonham do assunto, principalmente com relação a familiares.

Eu fui atender uma cliente e havia uma outra pessoa no mesmo ambiente, quando surgiu o assunto e minha cliente simplesmente mentiu, disse que foi acidente. Eu fiquei chocada!!! Queria dizer, não, não foi, foi suicídio mesmo. Vamos parar com essa hipocrisia. É real, acontece e pode acontecer com qualquer pessoa próxima a nós.

Basta! Temos que falar no assunto sim, acontece diariamente, não é frescura, não é vergonha. Vergonha é não poder ajudar a quem precisa ou até mesmo a família que passa por esse momento tão delicado.

Acredito que quanto mais tocarmos no assunto, mais comum será, e mais possibilidade de ajudar ao próximo teremos.

Não se cale!

Procure ajuda!

Atualmente temos o CVV, onde você pode ligar, escrever e até mesmo se voluntariar para ajudar aqueles que necessitam.

CLIQUE AQUI  –  SITE CVV

O CVV

O CVV — Centro de Valorização da Vida, fundado em São Paulo, em 1962, é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal, desde 1973. Presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato.

A instituição é associada ao Befrienders Worldwide, que congrega entidades congêneres de todo o mundo, e participou da força tarefa que elaborou a Política Nacional de Prevenção do Suicídio, do Ministério da Saúde, com quem mantém, desde 2015, um termo de cooperação para a implantação de uma linha gratuita nacional de prevenção do suicídio.

A linha 188 começou a funcionar no Rio Grande do Sul e, em setembro de 2017, iniciou sua expansão para todo o Brasil, que será concluída em 30/06/2018, com a integração de todos os estados.

Os contatos com o CVV são feitos pelos telefones 188 (24 horas e sem custo de ligação),  pessoalmente (nos 93 postos de atendimento) ou pelo site www.cvv.org.br, por chat e  e-mail. Nestes canais, são realizados mais de 2 milhões de atendimentos anuais, por aproximadamente 2.400 voluntários, localizados em 19 estados mais o Distrito Federal.

Além dos atendimentos, o CVV desenvolve, em todo o país, outras atividades relacionadas a apoio emocional, com ações abertas à comunidade que estimulam o autoconhecimento e melhor convivência em grupo e consigo mesmo. A instituição também mantém o Hospital Francisca Julia que atende pessoas com transtornos mentais e dependência química em São José dos Campos-SP.

Espero que meu relato possa ajudar, de alguma maneira essas pessoas que estão próximas a alguém com depressão, ou que está passando por um momento delicado como este e que enfim, ajude a não se calar diante desse assunto que se fez tão tabu, mas não é!

Um beijo no coração de todos e muita luz!