PUERPÉRIO

Olá pessoal, tudo bem?

Espero muito que sim!

Hoje vim relatar um pouquinho de como foi meu puerpério.

Após a chegada do bebê tudo muda em nossas vidas, isso toda mãe sabe, mas o que nós, mães de primeira viagem não imaginamos, é o quanto será desafiador esse primeiro mês bebê.

Ainda na maternidade, após ter meu filho em meus braços, me senti a mulher mais poderosa do mundo, eu senti que a partir daquele dia, poderia superar qualquer obstáculo que a vida me desse, mas isso não durou muito tempo.

Eu, que havia tido uma gestação emocionalmente difícil, morria de medo desse tal puerpério. Morria de medo de rejeitar meu bebê, mesmo sentindo todo amor do mundo por aquele ser que eu ainda nem conhecia.

Me preparei para o pior. Li artigos e assisti muitos vídeos sobre o assunto a fim de evitá-lo, mas tola eu se achava que ia conseguir dribla-lo.

Para minha sorte, amei meu bebê desde o primeiro instante que o vi, porém eu me odiava a cada erro que cometia, a cada irritabilidade que eu sentia quando o sono vinha com força total e ele não parava de chorar.

Os dias passavam e eu me sentia a pior mãe do mundo, mesmo meu marido me apoiando, mesmo eu fazendo de tudo para ser a melhor, porque eu não sabia o que era melhor.

Me lembro das noites em claro, em que eu e meu marido revezávamos o colo, as muitas pesquisas que fazíamos para saber o que era melhor para o nosso filho, mas a internet é extensa e as informações cruzadas nos deixavam mais aflitos ainda.

Fora este sentimento de não saber o que fazer com um bebê recém-nascido que chora muito, que ainda não sabe que está fora do útero e que não vem com manual de instruções, o puerpério me engolia viva, me jogando todas as culpas possíveis e me fazendo sentir sozinha, mesmo com meu marido e meu filho ao meu lado.

Nessas horas a rede de apoio faz toda diferença, mas eu não tive. Éramos eu e meu marido somente e o cansaço vai aumentando e com ele a insegurança, os medos, as culpas e todos esses sentimentos são elevados a mil nesta fase.

É algo muito maluco, desafiador e que mesmo que a gente se prepare, sempre seremos vítimas dele, pois faz parte do pós parto. Uma redução de hormônios muito brusca e uma mudança imensa em nós mães.

Só para finalizar, alguns dias depois do parto, numa madrugada em que eu chorava, não suportei e resolvi colocar em palavras o que eu estava sentindo naquele momento.

Não consegui terminar o texto porque meu filho acabou acordando, mas adoro reler cada relato meu sobre minha vida, pois me vem à tona o que passei e me faz lembrar que o mantra do puerpério de que “TUDO VAI PASSAR” realmente ajuda a gente a superar cada fase.

Puerpério – texto escrito em 13/09/19

“Meus sentimentos estão bagunçados, não sei se culpo o puerpério ou se me culpo mais uma vez.

As vezes culpo a má vontade que eu tinha de ter filhos.

Hoje eu sei o por que, e intensamente vivo na pele, que ter filhos parece simples, mas não é.

Mas parece tão simples para outras pessoas, outras pessoas tem mais de um filho, este é meu primeiro.

E para essas pessoas é simples mesmo, porque elas não criam essas neuras, as vezes a ignorância traz paz, mas também pode trazer a morte, só que simplesmente essas pessoas não sabem, porque são ignorantes.

Se eu gosto de ser assim? Claro que não!

Minha cabeça está atordoada, cheia de medos e dúvidas.

Eu coração está aflito em presenciar tanto sofrimento nesta adaptação dele sem poder fazer nada. Neste momento, vemos que não temos controle de nada e que não sabemos nada.

É um misto de sensações, é sentimento de culpa e que não vamos dar conta, é um aperto no peito que parece que vamos morrer.

É sentir que não somos suficientes, que o tempo não passa e que nada vai mudar, até que tudo muda, sem a gente nem ver.

Esse turbilhão de emoções incontroláveis me faz sentir frágil, amargurada, sem chão. Me faz querer voltar no tempo, me faz querer desistir. Me faz pensar que não sou capaz…”